domingo, 29 de dezembro de 2013

Uma breve história de Lisboa e violoncelo

Esse é um texto muito especial dedicado a pessoas muito especiais.

Há cerca de 4 anos, Luiz e eu chegamos a uma nova fase de nossas vidas. Ele já nos 60 e eu chegando lá em breve. Nossos cinco filhos, todos adultos, cuidando muito bem de suas vidas e famílias. Nossa carreira profissional estava declinando, porque os melhores trabalhos eram sempre oferecidos aos mais jovens, mais versados nas novas mídias e tecnologias, que não conseguíamos acompanhar com a velocidade necessária.

Dessa maneira, a vida começou a parecer sem objetivo, porque os desafios - de vida e trabalho - passaram a não existir mais. Sem objetivos a perseguir, a tendência de alguns é passar a viver a vida dos filhos e netos — o que não deixa de ser uma opção. Outros ficam depressivos, se sentindo inúteis, sem importância para ninguém ou para o Planeta. E, para piorar, as finanças vão se reduzindo enquanto as despesas em razão da idade (plano de saúde, remédios, etc) só aumentam.

Foi então que Luiz e decidimos, um dia, conhecer Portugal, a terra dos nossos ancestrais, onde nunca tínhamos estado. Pensamos como era absurdo conhecer tantos países e nunca ter ido àquele onde se iniciavam todas as lições dos nossos livros de História.

E foi uma descoberta e tanto! Adoramos tudo por lá — os lugares, a cultura, a gastronomia e, principalmente as pessoas, com tanto em comum conosco — o espírito alegre e aberto, aliado a um nível de civilização e organização muito acima do brasileiro.

Era como estar no Brasil calmo e tranquilo dos anos 50, 60 — com as pessoas se cumprimentando nas ruas, crianças uniformizadas e bem comportadas entrando e saindo de escolas públicas (lá ainda são as melhores) casas e carros sem alarmes, praticamente nenhuma neurose com segurança.

Tudo isso, aliado à transportes coletivos impecáveis e pontuais, casas, alimentação, medicamentos e saúde muito mais baratos do que no Brasil, além de praias lindas no Sul, montanhas nevadas no Norte e cidades que, embora pequenas, têm vida cultural tão intensa como São Paulo e Rio.

Foi uma das maiores descobertas da nossa vida! E surgiu então um novo objetivo de vida - uma luz brilhando no fim do túnel: Lisboa! Passamos a trabalhar o mais que podíamos para poder passar lá, pelo menos um a dois meses por ano. Mas queríamos mais — talvez seis meses por ano! E encaramos mais um desafio, um novo objetivo a perseguir... foi um renascimento, uma nova juventude para os dois sexagenários.

Toda nossa vida financeira passou a ter esse objetivo: conseguir renda para poder ter uma casa nossa em Lisboa, de modo a passar lá quanto tempo desejássemos dos nossos restantes anos de vida. Podendo voltar para casa à noite à pé após um cinema, concerto ou apenas visita a amigos, como fazíamos no Brasil dos anos 50! Que qualidade de vida! Lá isso ainda hoje é normal e possível!

Nada poderia nos desviar desse objetivo. Nem mesmo a segunda descoberta que fizemos no início de 2013.

A segunda descoberta foi a música. Um projeto novo para ensinar idosos a tocar instrumentos de orquestra chamou nossa atenção. Era de graça e nos inscrevemos. Fomos aceitos (os dois, graças!). E foi maravilhoso! Conhecemos pessoas de todas as regiões de São Paulo — algumas muito simples, que precisam de 3 meios de transporte diferentes para chegar à aula, outras parecidas conosco, outras que moravam muito perto de nós e nunca tínhamos encontrado! Delícia total! Os professores, as aulas, pegar naqueles instrumentos lindos de orquestra faz as horas de aula parecerem curtas demais e as horas de espera pelas próximas aulas parecerem muito longas!

Nessa hora veio a vontade de levar para casa os instrumentos, para poder estudar mais do que apenas os dois dias por semana de aula. Luiz ganhou um violino que a Laura tinha e não usava mais. Mas eu... um violoncelo? De R$ 1.600,00!? Isso ia interferir no plano Lisboa, portanto, impossível! Então decidi transformar em fonte de renda as bijuterias que eu fazia apenas por hobby, para presentear pessoas queridas. E abri uma poupança só para isso — objetivo: violoncelo!

Lígia foi a minha maior estimuladora e ajudante. Opinou sobre os modelos que as jovens mais gostavam e usavam, como reduzir o número de modelos para produzir em maior quantidade, me ajudou nas horas de aperto em que havia muitas encomendas... Vendeu, entregou e cobrou centenas de pulseiras para seus alunos e amigos ... e nunca aceitou receber um centavo, embora eu achasse que seria justo e merecido.

Laura me ajudou fazendo lindas fotos para a lojinha online. E no final de semana do aniversário de casamento da minha irmã, foram minhas queridas tias e primas que me surpreenderam: compraram tudo o que eu tinha conseguido produzir em uma semana e ainda encomendaram mais! Foi a glória!

E agora a grande e deliciosa conclusão disso tudo:

Já comprei o violoncelo, que meu professor vendeu pela metade do preço — paguei R$ 800,00 em lugar dos R$ 1600,00 que pagaria em uma loja!

E.... acabamos de voltar de Lisboa onde assinamos a escritura do nosso novo apartamento!

Na verdade, ele não é só nosso, mas de todos que nos apoiaram e a quem amamos muito. Ele será alugado para turistas durante os meses de alta temporada na Europa (junho a setembro) e grandes feriados, como Natal e Ano Novo. Mas saibam todos que, a partir de agora, serão sempre bem-vindos como nossos hóspedes muito especiais no apartamento que a família passa a ter, na Freguesia de São Vicente de Fora - Alfama, em Lisboa, Portugal!

Bjos Eliana (com aprovação e correção de Luiz Carlos)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Goiabada mole em 15 minutos!

Quem gosta de goiabada molinha, aquela que esparrama sobre o queijo, dá pra passar no pão ou usar como recheio/cobertura de bolo, aí vai a dica para conseguir uma bem rapidinho.



500 gramas de goiabada cascão (aquela bem dura).

1/2 litro de água. E só!



A goiabada que usei, meu filho trouxe de uma viagem a Juquiá.

Agora precisa cortar a goiabada em pedacinhos. E juntar 1/2 litro de água.
Leve ao fogo mais fraquinho que tiver no seu fogão. Pode deixar no forte até a água ferver, mas depois, abaixe ao máximo.
Senão, ao ferver, as bolhas espirram no fogão. E mexa com uma colher longa, para os espirros não queimarem sua mão. Quando ferver, comece a mexer de vez em quando, só para ir derretendo por igual. Isso não vai durar mais que 2 a 4 minutos! Depende da dureza da goiabada. E pronto! Se restarem pedacinhos amarelinhos, não se preocupe. São partes da casca da goiaba. Não alteram em nada o gosto. Ao contrário!



Agora é só esperar esfriar e saborear!

domingo, 14 de outubro de 2012

Pão caseiro

No liquidificador, bata 3 ovos bem grandes (ou 4 pequenos), 2 cubinhos de fermento biológico fresco (30 gramas) ou 1 envelope de fermento biológico granulado (11 gramas); 1 lata ou caixinha de leite condensado (395 gramas), a mesma medida (da lata) de água morna (morna muito leve - não pode esquentar demais); 1 colher (chá) de sal.

Passe essa mistura para uma bacia ou tigela grande (não use tigela de metal) e acrescente -- aos poucos -- cerca de 700 gramas de trigo, misturando com colher de pau. Dependendo do tamanho dos ovos e de suas demais medidas, vc vai precisar do quilo completo de farinha, ou até mais um pouco até terminar de preparar a massa.

Espalhe um punhado de farinha na pia ou balcão e despeje a massa sobre ela. A massa ainda deve estar mole e grudenta, a ponto de ameaçar se espalhar no balcão. Deixe o pacote de farinha à mão e vá jogando mais por cima e dos lados, e mexendo sempre a massa com movimentos rápidos para não grudar na sua mão. Acrescente farinha até o ponto de ver que a massa não se espalha mais no balcão - ou seja, tem estrutura. Mas se você furar com o dedo, ela gruda no seu dedo.

Faça movimentos de estica e dobra com ela, para arejar. Polvilhe mais farinha sempre que grudar muito na pia ou na mão. Quando não estiver mais grudando demais, divida em duas partes e faça o pão da forma que quiser. Eu faço um tubo grosso, achato, corto em três tiras (faca muito afiada) e tranço. Repita com a outra metade.

Coloque os pães em assadeira enfarinhada, com espaço entre eles. Faça cortes rápidos e rasos com lâmina ou faca afiada na superfície dos pães. Separe uma bolinha de massa e coloque no copo com água.

Para deixar crescendo, costumo colocar sobre o fogão, deixando o forno ligado no mínimo -- isso aquece a cozinha e faz eles crescerem mais rápido. Costumo fazer uma "cabaninha" para eles em cima do fogão, prendendo o pano na tampa levantada.

Quando a bolinha boiar no copo (isso vai levar de 2 a 4 horas) dependendo da temperatura do dia e da qualidade do fermento), coloque no forno (que já está ligado no mínimo) e espere assar. Ele deve ficar bem dourado. Leva cerca de 20 a 30 minutos.

Parece complicado, mas não é. Depois da primeira vez, não se precisa nem mais de receita.

Pão entrando no forno.

Pão saindo do forno!

sábado, 15 de setembro de 2012

Notebook que desligava sozinho. Solucionado!

Pessoal, resolvi contar aqui como consegui consertar meu notebook que estava se desligando sozinho! No começo, ele fazia isso de vez em quando, depois passou a desligar várias vezes por dia.

Procurei Fóruns e muitos falavam em vírus, memória falhando, windows corrompido... alguns falavam de falha do alimentador de energia (aquela caixinha preta que fica no fio entre o notebook e a tomada). Eu já desconfiava dele. Mas ele era inocente! Fiz o teste trocando o alimentador pelo de outro computador aqui de casa, que é igual ao meu. O que aconteceu? O meu continuou desligando e o outro, que estava com o meu alimentador, continuou trabalhando normal.

Vírus não poderia ser porque meu antivírus está atualizado e o Windows funcionava perfeitamente em todas as funções. Não tinha uma função específica que fazia o notebook desligar. Quando liguei para o suporte, falaram na possibilidade de reformatar o hard disk para reinstalar o Windows!!! Imagina! Tirar tudo o que tem lá??? Ou mandar para eles verem o que estava havendo. Eu ficaria sem o notebook por 15 dias!!!

Resolvi investigar a história do possível superaquecimento do chip (processador).

Mas como saber a temperatura do meu processador? Como saber se estava superaquecendo ou não? Existe um aplicativo gratuito chamado SpeedFan que faz isso. Baixei no site Baixaki (http://www.baixaki.com.br/download/speedfan.htm). Instalei e ele me informou que as temperaturas do Core (processador) estavam variando de 70C a 90C. Como saber se isso era alto ou baixo? Na Internet, é claro. Fiquei sabendo que a temperatura ideal é de 35C a 45C. Imagine!!!

Também na Net diziam que as maiores causas de alta temperatura eram sujeira emperrando o ventilador e/ou tampando os vãos do dissipador, responsáveis pelo resfriamento do chip.
Mas aí pensei: como vou limpar isso?

E de novo a Net me salvou! Um tutorial no YouTube mostrava como desmontar o notebook, o ventilador, o dissipador e limpar tudo (http://www.youtube.com/watch?v=P4CIiNojS40&feature=related). Criei coragem e desmontei tudo! Sem esquecer de tirar a bateria e desconectar tudo antes de começar.

Valeu! Foi muito mais fácil do que eu pensava. E estava tudo entupido mesmo. Além do pincel limpo e seco -- para tirar o pó do ventilador e desobstruir os vãos do dissipador -- usei um spray de limpar contatos (FosPro) no centro do ventilador (depois que tirei ele do notebook).

A gente só tem de tomar cuidado -- na hora de tirar o dissipador -- de não mexer em umas melequinhas (tipo pasta, meio cinza) que ficam bem no lugar onde o dissipador encosta nos processadores. Essa pastinha não pode ser retirada!! Ela faz a ligação do dissipador ao chip.

Aproveitei para fazer o ventilador girar bastante, usando meu secador de cabelo na temperatura fria. Aí montei tudo de novo. A temperatura baixou drasticamente!!! Agora não passa de 45C e acredito que o notebook não se desligará mais.

Resolvi colocar isso aqui para não esquecer do que fiz e porque talvez possa ajudar alguém com o mesmo problema.

domingo, 16 de outubro de 2011

Contrafilé x Alcatra: a Guerra.

A briga entre os apreciadores de Contra-filé e os de Alcatra lembra a que existia entre fãs dos Beatles e dos Rollings Stones nos anos 60-70. Não tem acordo... é questão de paixão (ou de paladar). Quem viveu sabe o quanto as duas tribos se criticavam... e continuam assim até hoje.

Pois é... Contrafilé e Alcatra servem para fazer as mesmas receitas: bifes acebolados, picadinhos, estrogonofe, bife à milanesa, à cavalo, karê, tepamyaki. Só não são tão adequados para bifes altos, como se faz com Filé Mignon. A não ser com certas partes de cada uma - no caso do Contrafilé, há uma parte mais macia, de onde se tiram Baby Beef, Bife Ancho e o Bife de Chorizo, por exemplo. Já a Alcatra tem partes especiais de onde se tiram a Picanha e a Maminha.

A diferença é que o Contrafilé tem uma faixa larga de gordura em um dos lados e a Alcatra não (com exceção da área da Picanha). A Alcatra tem uma cor vermelha mais escura - parecida com a do Filé Mignon. Já o Contrafilé é uma carne mais rosada. Na Alcatra, as fibras são mais curtas, por isso é mais macia que o Contrafilé, cujas fibras são longas. Mas os apreciadores de Contrafilé defendem que nada bate seu sabor - mais intenso.

Na minha opinião, a Alcatra é a melhor carne para se fazer bifes "domésticos" (no fogão comum) e, imbatível, para bifes à milanesa. Por outro lado, o Contrafilé permite fazer bifes um pouco mais altos e, na versão com osso - o Tbone -, quando bem preparado, deixa a Alcatra "no chinelo". No preço, as duas carnes se equivalem e são bem mais acessíveis que o Filé Mignon. De qualquer forma - jamais!- faça com elas carne de panela, guizados, sopas, caldos, cozidos em geral - será um fracasso! O sabor é suave demais e se perde totalmente.

Dica: Ao fazer bifes de Contrafilé em casa, separe a faixa de gordura da carne. Mas não despreze a gordura: corte-a em pedaços pequenos e deixe-os na frigideira enquanto frita os bifes. A gordura vai derretendo e dando um sabor delicioso aos bifes e, ao final, ela terá se transformado em torresmos deliciosos! Se deixar a faixa de gordura presa aos bifes, ela não ficará tostadinha, porque a carne frita muito mais rápido - e você terá um bife pronto, com uma faixa de gordura "branquela" presa nele.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Carnes sem medo!

Não fique confuso dos supermercados com os nomes que colocam nas carnes - como Mignon Tenderloin, Medalhão, Baby Beef, Bife Especial, carne para Strogonoff, Sirloin Steak, Faux de Filé, Bife Palha, Filé de terneiro, e muitos outros. Nas letras miúdas, eles são obrigados a dizer o nome oficial do corte padrão de onde veio a carne. Baby Beef, por exemplo, vem do conta-filé, assim como o Bife Ancho e o Bife de Chorizo dos argentinos.

Filé mignon - "the best"!!!

Ideal para fritar (ou grelhar) e comer douradíssimo por fora e mal passado por dentro! Ele quase dispensa temperos (costumo usar só sal) - porque a carne, além de muito macia, é deliciosa por si só! É perfeito para fazer bifes altos, medalhões, turnedos, chateaubriands, steaks vários (como o au poivre), picadinho de cubinhos, espetinhos, estrogonofe e rosbifes. Pratos com filé mignon são muito rápidos de fazer, porque ele não pode fritar muito tempo e - jamais - ser cozido!

No caso do filé mignon, a única variação é se ele vem ou não com o "cordão", uma parte meio separadinha e lateral, paralela ao comprimento do filé, com um pouco mais de gordura, mas igualmente macia, pois, é parte do filé. Quando a gente compra um filé inteiro - com o cordão - costumamos separar o cordão para que o bife fique mais bonito - redondinho. E o cordão, a gente pica em pedacinhos, congela, e usa outro dia para picadinho, espetinho ou estrogonofe.

Mas atenção: Para o filé mignon ficar perfeito é necessário fritar os bifes (os cubos, ou todo o filé) em pouco óleo ou manteiga (ele já tem gordura própria), mas em fogo muito forte! Faz um fumacê danado na cozinha! O ideal é usar aqueles fogões que têm chamas poderosas, tipo alta pressão (como os industriais) ou grelha, se tiver. Porque para o bife grosso ficar dourado por fora e mal-passado por dentro, só dando um choque térmico (quente) inicial nele - para "selar" a carne por todos os lados. Depois, pode deixar na frigideira ou grelha mais uns minutos até o ponto desejado (mais ou menos passado). Em fogo normal, o sangue vai indo embora para a frigideira, "forma água" e o bife "cozinha" em lugar de fritar. Perde o gosto, fica menos macio e "branquelo", bem diferente dos filés altos lindos de restaurante (é que eles têm o fogo poderoso!).

Truque: Aprendi com o ídolo da minha filha, o Jamie Oliver, um truque para fritar bife em casa, na chama forte do fogão comum, sem tanto fumacê, e com excelente resultado. Basta usar uma tampa - menor que a frigideira - e que vede todo o bife - sem encostar nele (ela tem de ser meio abaulada). Essa tampa devee encostar no fundo da frigideira em torno do bife. Desse jeito, o calor não se perde, fica concentrado em torno do bife, formando uma espécie de câmara de calor em todo da carne, que doura rapidinho. É genial! Só é difícil achar a frigideira e a tampa nos tamanhos corretos.

Obs 1: Como eu sou antiga demais para entender de grills "George qq coisa", não faço a menor idéia se eles são - ou não - capazes de produzir bifes altos de filé corretamente. Recomendo.... ler o manual de instruções?!?!?

Obs 2: Não desperdice azeite para fritar! A altíssima temperatura da fritura invalida as características do azeite e o sabor interfere no gosto suave do filé. Melhor usar um bom óleo de milho ou manteiga (margarina nem pensar!). Se gostar de azeite, regue seu filé depois de pronto.

No dia-a-dia - O filé mingnon, além de bifes maravilhosos, é perfeito também para picadinho em cubos (sempre frito rapidamente, poucos cubinhos de cada vez, em óleo muito quente), estrogonofe (o mesmo esquema para fritar, antes e acrescentar o molho) e o mais delicioso rosbife do mundo! Nada a ver com os rosbifes frios fatiados de rotisseries e padarias (feitos em geral com coxão duro ou lagarto). Em qualquer receita, o filé deve ser grelhado (ou frito) em separado do molho que se vai usar - seja qual for. Só depois que estiver bem dourado (seja em tiras, cubos, bifes ou inteiro) então se acrescenta o molho - na panela ou frigideira - ou no prato.

O filé mignon só tem um enorme defeito! O preço!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Gostei da banda Restart. E daí?

Eu estava lendo as notícias sobre os vencedores do VMB no ADNews, que citava a banda Restart como a grande vencedora de 2010 (cinco prêmios), quando reparei que os comentários dos internautas eram todos depreciativos: chamavam a banda de "porcaria" para baixo.

Então, como sou curiosa demais em coisas musicais, apesar dos meus 58 anos (e ser do tempo dos Beatles e Rolling Stones!) decidi procurar as músicas deles no Youtube e ouví-las - para ver o quanto eram "horríveis" a ponto de indignar tantas pessoas com a premiação que receberam.

E acreditem: eu gostei. Ouvi só duas músicas, mas achei que eles têm um som característico, harmonização (dentro do estilo, é claro) agradável e letras bem de acordo com o que os pré-adolescentes atuais gostam. Sinceramente, não vi muita diferença entre eles e outros grupos de rock atuais como JQuest ou Skank, ou com clássicos como Beatles e Rolling Stones no começo da carreira.

Será que criticam tanto aqueles quatro meninos só porque eles se preocupam com o visual, com cabelos cortados na moda e coisas assim? Ou seja, usam o marketing visual para dar um "empurrãozinho" na carreira? E quem não faz isso quando pode?

Mas não creio que só o marketing sustente uma banda se ela for ruim. E achei que fazem um som competente, cantam direitinho e tem tudo para agradar quem tem hoje de 15 a 18 anos. Será isso errado?

Será que hoje só se considera bom quem faz som pesado, letras deprê, e se veste mal? Gostei tanto de ouví-los como gosto de ouvir B52, Queen, Beatles, Skank, ou outro grupo de rock... cada um no seu estilo, na sua geração, para o seu público.

Talvez eu sinta essas coisas diferente da maioria das pessoas que comentaram no ADNews porque tive cinco filhos - e acompanhei todas as tendências e gostos musicais que cada um deles teve, a seu modo e em sua época. Eu não parei lá atrás porque agora estou na fase de curtir com meus netos o que eles curtem. E adoro poder fazer isso.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Criança perguntadeira.

Porque eu nasci em uma casa espaçosa com quarto, sala, cozinha, jardim e quintal? Com mãe, pai e irmãos que gostam de mim? Se outras crianças nascem nas ruas, favelas, palafitas, muitas vezes sem ter ninguém para cuidar delas?

Porque eu tomo banho todos os dias com água quente e sabonete? E coloco roupas limpas e cheirosas para ir à escola ou passear? Se há crianças que estão sempre sujas, vestindo roupas velhas e descalças?

Porque eu como café da manhã, lanche na escola, almoço e jantar gostosos e quentinhos todos os dias? E ganho doces quando me comporto bem? Se tantas crianças só comem feijão e farinha... quando comem?

Porque me levam ao médico após um espirro ou garganta inflamada? E me tratam com um montão de remédios? Se outras crianças, com pernas finas, barrigas enormes e narizes sempre escorrendo, nunca foram ao médico?

Porque? Por que? Por quê? Quantos porquês! Crianças são chatas e perguntadeiras! Eu sei! Mas o que fazer se não me respondem? Só escuto Sei lá! É a vida! Porque sim! Nunca me dão respostas. Será que vai demorar para eu saber?

E vou crescendo, pensando em um dia saber os porquês. Deve haver um motivo para algumas crianças serem filhas de reis; outras de operários, de pescadores, soldados, ladrões... ou de ninguém, como as que estão nos orfanatos.

Quando eu crescer e aprender a ler vou saber isso nos livros? Quando for à igreja, o padre me dará a resposta? E na escola... será que o professor sabe? Alguém tem de saber! Porque um dia eu vou ter filhos e eles vão querer saber o por quê.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Aprendendo a verdade da vida....

Terminei hoje de reler "História do Mundo para Crianças", de Monteiro Lobato, uma obra prima que recomendo a todos - principalmente adultos. Cada capítulo é uma lição de história fantásticamente rica e bem contada - desde a pré-história até a II Guerra Mundial, sem nunca ser cansativa ou desinteressante. E acrescentando fatos e dados que não se aprende nas escolas.

Nos últimos capítulos, depois de contar a Narizinho, Pedrinho e Emília toda a história da humanidade - que não passa de uma sequência infindável de guerras, assassinatos de reis, massacres de povos, perseguições religiosas - dona Benta contou a eles algo mais leve: a história da música, da ciência e das invenções - e dos homens responsáveis por elas que, em lugar de lutar, matar e destruir, criaram coisas belas, remédios para doenças e máquinas úteis e maravilhosas.

Então, Narizinho perguntou:
"Mas será que as invenções melhoram a vida, vovó?"

E nas palavras de dona Benta, Monteiro Lobato colocou uma das conclusões mais perfeitas sobre a humanidade que já tive a oportunidade de ler ou ouvir:

-"Melhoram a vida, sim, embora não melhoram o homem. A nossa vida hoje podemos dizer que é riquíssima, se compararmos com a de um século atrás. Entretanto o homem é o mesmo animal estúpido de todos os tempos. Abra o jornal e leia as principais notícias. Só falam em miséria, em crimes, em guerras. A humanidade continua a sofrer dos mesmos males de outrora - tudo porque a força da Estupidez Humana ainda não pôde ser vencida pela força da Bondade e da Inteligência. Quando estas forem mais fortes do que aquela, então sim, teremos chegado à Idade do Ouro".

Não é uma verdade dura de engolir?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

"É de tirar as calças pela cabeça"!

Eu me tornei uma pesquisadora de produtos e preços tão detalhista e obstinada que entrei numa arapuca de ter dificuldade em comprar qualquer coisa que seja na internet. Desde um simples cartucho para a impressora, até um colchão ou geladeira, a pesquisa exaustiva me faz gastar horas em comparações hiper detalhistas, envolvendo tantas variáveis que acabam me deixando confusa.
Quando se trata de artigo com poucos fornecedores, fica mais fácil. Mas a profusão de lojas vendendo eletrônicos, eletrodomésticos e outras traquitanas de que todas as casas precisam, tornou minha vida de consumidora-pesquisadora bem complicada.
É claro que fica mais fácil quando já se sabe - pelo menos em parte - o que se quer. No mínimo, uma faixa de preço ou uma marca preferida.
Mas quando não se tem uma marca ou orçamento definido em mente - a coisa fica preta.
Faz cerca de uma semana que estou tentando escolher um colchão. Começa pela dúvida: cama tradicional e colchão ou cama box e colchão? E quando chega no colchão, então, é uma loucura! Mais de 20 marcas, todas alardeando o melhor sono do planeta. Numerosos tipos/quantidades de molas, revestimentos, espumas desenvolvidas na Nasa... coisa de enlouquecer.
De tanto ler especificações e fóruns sobre colchões e a importância do sono, estou ficando PHD na matéria. Mas quanto mais aprendo, menos me decido, já que cada um tem um algo mais ou um algo menos (o algo "mais" em geral é o preço, é claro). E quando coloco em uma bela planilha os + e os - de cada modelo/marca, e chego a uma conclusão razoável, ao fazer uma última pesquisa sempre aparece um tipinho qualquer no site "Reclame Aqui" dizendo horrores da marca e/ou loja.
"É de tirar as calças pela cabeça"!

terça-feira, 23 de março de 2010

Telhado velho com goteiras

É certo que hoje tenho uma bela banheira, com muita água quente aquecida a gás, onde os banhos são deliciosos... uma cama fofa e gostosa, na qual diariamente me deito bendizendo aos deuses por tê-la, enquanto tantos dormem ao relento. Meu escritório não poderia estar melhor: equipado com toda a tralha tecnológica necessária ao trabalho e amplas janelas que dão para o jardim. As paredes da casa estão sempre impecáveis, portas e janelas são novas e de boas madeiras e os quadros na parede - todos, sem exceção - estão emoldurados.

Quanta mudança em comparação àquela velha casinha de 25 anos atrás! Com vitrôs emperrados, sofás velhos e encardidos e quadros sem molduras nas paredes (porque sempre gostei de paredes enfeitadas, mesmo quando eram apenas fotos ou gravuras bonitas retiradas de revistas e calendários...).

Mas olhando o belo telhado de agora, de telhas novas, pé-direito mais alto e isolamento térmico.... e comparando com o antigo - metade apenas em lajes, metade de telhas velhas, algumas quebradas, cujo madeiramento já havia cedido ao peso dos anos e formava barrigas que deixavam a água da chuva passar para dentro - eu concluo que foi uma conquista, um progresso... uma verdadeira vida economicamente bem-sucedida.

Mas será?
Embaixo daquele velho telhado havia muito mais vida, sonhos, alegrias, apesar das dificuldades. A correria para mudar as camas de lugar quando chovia... os panos e baldes para "aparar" as goteiras e a escalada ao velho telhado, no dia seguinte à chuva, para trocar telhas quebradas - ou rearrumar as deslocadas pelos gatos em suas travessuras. Em dois quartos, cinco crianças se distribuíam em 2 beliches e um berço, dividindo dois guarda-roupas, duas a duas... Brigavam, choravam, riam e, tenho quase certeza absoluta, eram tão felizes como eu.

Não havia um escritório com notebooks, wireless, TV a cabo nem se conhecia o Wii. Mas no quintal se viam muitas bolas (algumas devolvidas furadas após caírem no quintal do vizinho que detestava crianças), raquetes, cordas, amarelinha, panelinhas, fogãozinho de tijolo, centenas de bolinhas de gude e tanta coisa mais... E dentro de casa, um mágico e velho piano, flautas de madeira, gaita e até um trompete (que ninguém sabia tocar) e um violino tamanho infantil (muito pouco usado, na verdade). Sem falar nos sempre presentes e numerosos livros, revistas, papéis, lápis e tintas e jogos divertidos como dama, ludo, resta um e cartas de mico e memória!

Eu tinha tempo até para costurar, bordar, contar histórias, cantar músicas de roda na hora de dormir, compor músicas para animar banhos e refeições e até para alfabetizar meus filhos! E, ao contrário da calma da rua em frente, que era de terra e onde só se ouviam risos de brincadeiras de crianças e latidos, aqui em casa havia um movimento constante.

Sempre alguém chegando ou saindo... fosse para ou da escola, da casa dos amigos vizinhos ou com eles de volta. Música variando de estilos - de Beatles a Caetano, passando por Queen e Abba - no toca-discos ou em fitas. Nem dava tempo para fechar a porta, muito menos de trancar qualquer portão! E os almoços e lanches jamais tinham número certo... poderia haver na mesa mais ou menos pratos que os habitantes da casa... os vizinhos e amigos sabem bem!

Hoje o silêncio e o ruído trocaram de lugar. Não é bizarro? Aqui dentro tudo é tranquilo, silencioso (até demais, já que quatro filhos já "cresceram e mudaram"); enquanto da porta para fora, agora uma larga rua asfalto - até com lombada para acalmar apressados - o ruído das freadas é constante, sirenes, pessoas que se expressam aos berros, carros-baladas (que acreditam que adoro as mesmas músicas que eles), sem falar nos eventuais acidentes e brigas. Praticamente nenhuma voz de criança, quase nenhuma risada gostosa.

E o pior é que aqui dentro também não há quase mais risadas gostosas. A exceção é quando os netos vêm visitar. Pouca gente na casa, poucos gatos, nenhum cachorro, a cabeça em impostos, juros bancários, cartões de crédito, contador, contas a pagar e, apesar de milhões de horas a mais de trabalho do que antes, muito menos dinheiro a receber e quase nada de lazer. Sem tempo para ver as árvores, as flores do jardim, sem tempo para papear com os vizinhos... passando os dias sentada à frente da tela do computador e sempre resolvendo alguma coisa "muito urgente".

Restou o prazer do banho na banheira e do cair na cama gostosa diariamente, mas sempre morta de cansaço e com a cabeça cheia de "caraminholas" (expressão roubada da Emilia, do Monteiro Lobato). Quer saber? Dane-se essa vida economicamente bem-sucedida. Eu gostava mais do telhado velho com goteiras.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A Evolução da Educação

Antigamente se ensinava, desde as primeiras séries escolares, tabuada, caligrafia, gramática, redação, ciências, história e geografia. Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Trabalhos Manuais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas.

Leiam relato de uma Professora de Matemática:

Na semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 mais 80 centavos, pensando em facilitar o troco. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer. Tentei explicar que ela precisava me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.

Por que estou contando isso? Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950 - quando estudei - e concluí que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afrodescendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder).
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

E mais: se hoje um aluno resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com que ele pinte a parede novamente, os pais ficarão enfurecidos dizendo a professora provocou traumas na criança.

Observem essa pergunta, que foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

“Todo mundo está 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos...
Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"


"Uma criança só aprende o respeito e a honra dentro de casa. Ela assimila o exemplo de seus pais. E assim torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive..."

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Faça o bem... e diga para quem!

Não há coisa que mais me revolte do que receber "notícias" relatando as "boas práticas" de "responsabilidade social ou ambiental" de empresas, pessoas e entidades das mais variadas, como vem ocorrendo com triste frequência.

Acho simplesmente horroroso fazer algo por algum grupo ou comunidade, que se encontra em situação de dificuldade social, econômica ou de saúde, e sair alardeando isso mundo afora. Que falta de ética, de civilidade, de amor ao próximo e à humanidade!

Aprendi desde criança que um ser humano realmente preocupado com o mundo que o cerca, sinceramente atuante nas causas sociais, deve "fazer o bem sem dizer a quem". Doar seu tempo como voluntário, conseguir verbas, equipamentos ou mesmo doar alimentos aos que precisam nunca deveria ser alardeado.

Comentar em público esse tipo de ação de responsabilidade social era considerado muito grosseiro no meio em que eu vivi a infância e a juventude. Uma verdadeira falta de educação! Além do mais, responsabilidade social sempre me foi ensinada como uma ação natural do ser humano responsável. Algo que deveria estar sempre presente no dia a dia dos seres civilizados por toda a sua vida.

E, se todos devem ter sempre a mesma atitude responsável para com seus semelhantes... Como vangloriar-se disso? Não há mérito: é obrigação!

Vejam o release absurdo que recebi ontem:

"""AMWAY DOA 332 MIL DÓLARES ÀS VITIMAS DO HAITI"""
Empresa comunica a morte de 4 distribuidores no terremoto.

Pode haver algo mais absurdo do que isso? Em primeiro lugar - em letras garrafais - o marketing da empresa sobre a desgraça de um povo. E, na linha fina, em letras pequenininhas, o que deveria ser o foco para a comunidade da empresa: 4 de seus colaboradores mortos.

Simplesmente vergonhoso!

E tem mais: criaram-se rankings e prêmios para as empresas "socialmente responsáveis", que recebem suas "láureas" em grandes festas-show de premiação, criadas unicamente para atrair holofotes e ampliar cada vez mais a visibilidade da empresa na mídia. A responsabilidade social, que deveria ser uma atitude natural das corporações, exercício da cidadania, transformou-se em uma estratégia de marketing, um exibicionismo grosseiro.

Isso me faz ter sérias dúvidas sobre se gosto de viver no mundo de hoje...

Acho que meu prazo de validade venceu!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Saudades de Elis....

Tenho muitas saudades de ver Elis Regina cantando. Não me lembro de ninguém tão completa como ela sobre um palco. Tinha voz poderosa, dicção perfeita, um gingado de corpo e alegria no cantar que contagiava! Costumo ouvir amigos e familiares da minha idade repetirem o mesmo, exaltando os intérpretes maravilhosos como Elis que tínhamos "naquela época". E comentando que "quase nada de qualidade surgiu depois".

Mas quando me assalta a tentação de fazer coro... lembro da opinião que meus pais e meus avós tinham sobre a música dos anos 60 e 70, que eu adorava, de João Gilberto, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Milton Nascimento, Caetano e Chico. As opiniões eram péssimas. Diziam que a Bossa Nova e a MPB tinham melodias e letras paupérrimas, sem harmonia, sem ricos arranjos, e que os intérpretes eram sofríveis, "sem voz". O rock´n roll, então, era "puro barulho ensurdecedor".

Meus avós exaltavam as valsas e chorinhos de Zequinha de Abreu, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth, assim como as interpretações poderosas de Vicente Celestino e Enrico Caruso. Meus pais, crescidos no pós-Guerra, aclamavam Bing Crosby, Nat King Cole e Frank Sinatra como sendo verdadeiros e maravilhosos intérpretes.

E pior: eu mesma comecei, nos anos 90, a menosprezar o que meus filhos adolescentes ouviam e curtiam. E alegando os mesmos motivos: pobreza melódica, letras simplórias e sem conteúdo, pouco mais que refrões repetidos à exaustão.

Custou para "cair minha ficha"! Custei a perceber que cada geração tem a música e os intérpretes adequados às suas filosofias, costumes, conhecimentos e cultura. E que as coisas que "descobrimos" na adolescência e juventude se tornam referências por toda a vida. E se isso ocorre em tudo, também acontece com a música.

Assim, não é de espantar que nossos avós, acostumados a ler partituras complexas de melodias sinfônicas, valsas e chorinhos, e treinados em linguagem musical desde os primeiros anos da escola, abominassem as "simplificações" que vieram nas gerações posteriores.

Da mesma forma, seria absurdo esperar que a geração atual - que não recebeu ensinamento musical na escola ou em casa, tem pouca familiaridade até mesmo com livros e praticamente só se informa pela TV e pela internet - gostasse das letras elaboradas de Chico Buarque, ou do fraseado musical complexo de Ernesto Nazareth (existem exceções, é claro, mas são minoria).

E então compreendi que música também é história - com passado, presente e futuro. E como meu “presente” foi de John F Kennedy, Martin Luther King, Guerra do Vietnã, Movimento hippie, Twigg, Fellini, Pelé, Beatles, Chico e Caetano.... o “presente” dos meus filhos é de Obama, Mandela, Gisele Bundchen, George Lucas, Queen, Guerra do Golfo, Green Peace, Michael Jackson, Ronaldinho, Daniela Mercury e Carlinhos Brown.

E sabe-se lá o que haverá no “presente” de meus netos e bisnetos... Só sei que eles vão adorar!

sábado, 1 de agosto de 2009

Dia interessante....

Hoje foi um dia interessante...

Acordei com uma tremenda dor nas costas porque dormi das 22h de sexta até as 8h da manhã de sábado. A dor era terrível e não passava de jeito nenhum. Só foi melhorar lá pelas duas da tarde.
E eu tinha tantos planos para o sábado! Ir comprar sapato com a Liki, comprar um vidro bonito para guardar minhas conchas, fazer um almoço gostoso, ver meus netos e talvez até pegar um cineminha no fim do dia.
Deu tudo errado! Não tive disposição para nada por causa da maldita dor e ainda por cima tive de ir ao supermercado - coisa que detesto.
A conclusão do meu dia foi descobrir que esqueci de confirmar um convite da minha irmã para almoçar no domingo e ela arrumou outro programa; esqueci de avisar a Lala que não tinha mais ingressos para a Noviça Rebelde e ela ficou achando que a gente ia.
Quando comentei com meu marido como minha cabeça estava terrível de tanta coisa que eu andava esquecendo... e que eu achava que em breve ela não serviria para mais nada.
E ele gentilmente me disse: "Ainda bem que você admite. É assim mesmo, coisas que a gente não usa se atrofiam".
Na volta do supermercado, novamente morrendo de dor nas costas, depois da doidice que é guardar tudo, fiz um bolo de maçã junto com a Liki. ENtão fui ver a novela e, quando acabou, Liki reclamou que estava com fome porque eu não tinha feito uma refeição decente o dia todo.
Então, me prontifiquei a fazer algo para ela - e ela disse que não queria mais.
Foi um ótimo desfecho para o meu sábado: saber que eu não uso a cabeça, ou seja, sou uma perfeita imbecil, idiota, na opinião do meu marido, além de uma mãe relapsa, que deixa a filha de 22 anos passando fome.
Lindo final para um sábado nublado.... será que aceitam mulheres imigrantes de 57 anos em Marte, Venus ou Plutão?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Aos responsáveis pela lei antifumo do Estado de São Paulo:

Estou estarrecida com essa lei extremista do governador José Serra, que trata os fumantes como criminosos, isolando-os da sociedade.
Se as tabacarias poderão funcionar com meios adequados para não incomodar com a fumaça o que existe em seu entorno, porque o mesmo procedimento não pode valer para bares, restaurantes e locais públicos?
O correto seria exigir de todos os que mantém locais para fumantes um adequado sistema de ventilação e exaustão, de modo a não afetar os não fumantes em ambientes contíguos e adequadamente isolados. Além disso, fiscalizar e multar os responsáveis por manter locais para fumantes sem os equipamentos e isolamentos adequados.
Quando eu era adolescente, fumar era considerado "chique" e estimulado em todos os meios sociais e de comunicação. Hoje sabe-se que faz mal à saúde. Mas agora, fumando há mais de 40 anos, como muitos brasileiros de minha geração, não consigo deixar o cigarro. E, em lugar de ajuda médica gratuita para deixar o vício - que só existe para um universo restritíssimo de pessoas que moram ao lado dos dois grandes hospitais públicos de São Paulo - sou tratada como criminosa e potencial assassina de pessoas que estejam perto de mim.
Sou fumante desde os 14 anos, casei-me com um fumante. Tivemos cinco filhos que hoje são adultos e nenhum deles jamais fumou!
Sempre deixamos claro aos nossos filhos que fumar não faz bem à saúde e que nós éramos e somos dependentes do cigarro.
Mas eles não nos consideram criminosos por isso! Porque o governador Serra nos considera?
Trabalhamos duro, pagamos nossos impostos federais, estaduais e municipais. E pior... votamos em José Serra para governador porque somos democratas. Certamente votamos em Serra pela última vez, porque tal atitude não é nem um pouco democrática.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Retrato de uma Mãe (e avó) Doida aos 55 anos.

Eu adoro jogar futebol com meu neto, montar com ele labirintos incríveis de dominó (mesmo que nem sempre dêem certo), jogar Imagem em Ação, Piti e Pontinho com um montão de filhos e amigos na mesa (quanto mais melhor!); adoro pescar em beira de rio, subir em árvores e telhados (só para olhar lá de cima), andar a cavalo no mato, jogar frescobol na praia, nadar e mergulhar, plantar e colher coisas e fazer pão. Ah, também gosto muito de escrever (mas não por obrigação e sem pressa), de viajar para qualquer lugar e usar calça jeans.

Eu detesto cabeleireiro, academia, dentista, trabalho chato, qualquer trabalho doméstico, fazer compras de supermercado, trânsito, trancar portas, grades em janelas, muros altos, asfalto, ter de me arrumar para sair, maquiagem, sapato de salto alto, conversa de bêbado, ruas sem árvores, mau-humor, embalagens jogadas na rua, perfumes em excesso, tirar sobrancelhas, reality shows, filmes de terror, dormir demais, dormir de menos, armário bagunçado, falta de amor à humanidade e a Receita Federal.

Mãe Doida?

Meus filhos sabem o motivo do título desse blog. Mas como nem todo mundo é meu filho... E, afinal, aos 55 anos, sou - pelo menos aparentemente - uma pessoa "centrada e séria", mãe de cinco filhos, casada com o mesmo - e único - marido há mais de 30 anos (pasmem!!!), pode mesmo ser difícil entender o "Mãe Doida".

Mãe Doida é o que eles exclamam (e com razoável freqüência) quando faço coisas ou dou opiniões que eles consideram absolutamente "sem noção", assim como perguntar porque querem se casar - com papel, no cartório - se hoje em dia isso é absolutamente desnecessário, tanto socialmente como legalmente. Eu admito que me casei no cartório. Mas isso foi há 30 anos!

Mas não posso negar que nunca fui uma mãe "normal", talvez pela sorte de ter tido pais "anormais", que me davam total liberdade: bastava eu dizer onde ia (ou estava) e podia ir onde desejasse e voltar quando quisesse - isso nos anos 60!

Por outro lado, essa confiança resultava em uma grande responsabilidade! Sem ninguém para me vigiar, aprendi bem cedo que estava por minha conta e risco - e precisava ser mais "adulta" e bem mais esperta que a maioria (qualquer dia eu conto sobre o seqüestrador que convenci a me devolver ilesa e sem cobrar resgate, quando eu tinha 16 anos).

Mas chega de passado! Uma das vezes que fui chamada de Mãe Doida - merecidamente - foi quando comprei escondido uma passagem para Atenas (via Roma) para minha filha de 17 anos, que nunca tinha passado mais de uma semana fora de casa (e sempre bem perto!), não falava italiano nem grego, só inglês.

Talvez por ser a caçula, ela estava ficando muito "dependente" da família. Isso seria cada vez mais problema, quanto mais tempo passasse. E decidi pelo "tratamento de choque". A primeira reação dela foi de euforia, porque adora esportes e morria de vontade de assistir à Olimpíada. Mas a seguir... veio o pânico!

Ela me chamou de "Doida" muitas vezes e ameaçou não viajar. Mas foi. Deve ter tido muitas "dores de barriga", antes e durante a viagem. Eu mesma tive momentos de arrependimento. Mas agora, que ela está com 21 anos, já fez muitas viagens sozinha, fala dois idiomas e tem amigos em vários países... pergunte o que ela acha da "Mãe Doida"?

Que continua sendo "Doida"!
É isso aí!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Faltou luz?

Como eu sei que faltou luz? Simplesmente porque meu computador estava dando restart quando entrei pela porta de casa e olhei para dentro do escritório. Ah, mas pode ter sido outro o motivo: em lugar de falta de luz, talvez tenha sido "excesso de Cida".

Cida é a minha "funcionária do lar" (será que dessa vez eu acertei?). Ela não perde uma oportunidade! Às vezes penso que fica espionando atrás da porta para ver quando eu me levanto da frente do computador. Se pego a bolsa e a chave do carro, tenho certeza que ela exulta! E quando a porta da sala bate atrás de mim, eu imagino que ela já está armada de vassoura, rodo, pano, desinfetante, lustra-móveis e tantos outros instrumentos de tortura para atacar minha inocente CPU, meu teclado "nojento" e meu scanner que mais parece um canto abandonado da Biblioteca Nacional, tantos papéis e livros tem em cima.

E, invariavelmente, quando volto, tudo parece calmo, normal, até eu ligar o monitor e ver quantos textos em língua marciana eu não escrevi, quantas respostas o windows está pedindo ("deseja mesmo...???") ou quantos e-mails foram disparados sem nenhum conteúdo.

Hoje era restart... amanhã, só Deus sabe!

Mas reclamar como? O teclado está mais branco que nunca, na cozinha tem um bolo de fubá bem cheiroso e, pasmem, nenhuma louça suja na pia, todas as camas arrumadas e, tenho certeza, meu gato tomou o remédio na hora certa.

Cida, você é a maior!! Meu computador é todo seu... Divirta-se!

sábado, 27 de outubro de 2007

Porque eu tenho que guardar cuecas?

Essa é uma pergunta que me assalta todas as sextas-feiras à tarde. Invariavelmente, lá estou eu encarando a pilha de roupas lavadas e passadas pela minha secretária doméstica (Será esse o termo politicamente correto?) e pensando porque tenho de guardar cuecas.

Eu não uso cuecas, nunca usei cuecas, nunca nem sequer comprei uma cueca para mim em toda a vida. Então porque tenho de guardá-las? E pior que isso, porque eu faço isso e não reclamo?

Será que meu marido pensa que as cuecas e meias, camisas e calças pulam sozinhos para dentro das gavetas? E que os sapatos e chinelos sabem direitinho o caminho da sapateira?

Às vezes me dá uma vontadezinha maligna de, por duas ou três semanas, não guardar mais nada. Fico então imaginando como o quarto, o banheiro e a casa toda ficariam... e como meu marido descobriria a verdade sobre a vida inanimada de cuecas, camisas, calças jeans, cintos e tudo o mais!

Mas como eu também moro na minha casa... o melhor é continuar guardando cuecas... para todo o sempre.